sábado, 29 de janeiro de 2011

O fim do mundo (em documentário)

O "BBC vida animal" a la domingo de manhã na SIC é a primeira coisa que surge quando se fala em documentário em Portugal (pelo menos para quem tiver apenas os 4 canais abertos). É sempre bom ter como mostrar às criancinhas que há animais no mundo, e que estes se comem segundo a cadeia alimentar. Mas é bem possível que a maioria das pessoas se veja perto do sono ao ouvir um sotaque britânico a falar de um leopardo que dorme numa aleatória árvore da savana africana.

Por definição, um documentário é um filme onde se tenta retratar a realidade, ou parte dela. Nos ultimos tempos a realidade mundial está mais baseada no "FIM DO MUNDO". Signifiquem estas palavras literalmente o fim do mundo, ou (no mínimo) o fim do mundo tal como o conhecemos, há uma enorme variedade de hipóteses, visões e teorias.


O FIM AMBIENTAL: A destruição do ecossistema do planeta vai levar ao fim da humanidade. A "verdade inconveniente" deste tópico valeu um Nobel ao senhor Al Gore, e é verdade que a maior parte de nós acredita que a humanidade tem os dias contados por conta dos seus/nossos próprios actos.


O FIM PROFÉTICO: Entre o Nostradamus e os Maias, já toda a gente sabe que o mundo vai acabar. O Armagedão vem aí e vai trazer os amigos todos com ele. No entanto, é difícil chegar a um acordo sobre os pormenores, porque toda a gente marcou o fim do mundo para datas diferentes - o que é chato. Eu diria que é melhor não reservar lugares, porque o artista pode não aparecer. Mas é sempre bom dar gasolina para os fanáticos religiosos.


O FIM PELA GUERRA: A guerra está sempre por aqui e por ali e há-de nos bater à porta mais tarde ou mais cedo. Na nossa realidade a guerra é um fenómeno global e, se uma guerrazinha de quintal  já mudaria o nosso mundo, caindo-nos à porta uma WWIII iria destruir o mundo tal como o conhecemos. (é que além do já "típico" genocídio, agora há armas químicas, biológicas e nucleares. O que vale é que já se sobreviveu a outras duas... por isso é um fim do mundo mais aceitável.
 

O FIM MICROSCÓPICO: Eles andam aí, pequenos e silenciosos, e podem trazer com eles o fim do nosso mundo. Não falta quem teorize que o dia que o antibiótico vai falhar e o bichinho vai ficar por cima... e é o fim. A cada surto/epidemia/pandemia nova que surge, há logo que predizer o fim do mundo. Todos nós estamos bem rodeados de S. Aureus sem qualquer problema. O que não menos comum é saber o que acontece se estivermos rodeados pela mesma no seu estado multi-resistente. Por isso, não é fora do comum achar-se que uma coisa "um pouco" mais forte nos possa por fora de circulação.


O FIM VINDO DO ESPAÇO: "Se a probabilidade não é zero, então é porque vai acontecer." Vai chegar o dia que um asteróide ou qualquer coisa vinda do céu vai causar o fim do mundo. Se já aconteceu aos dinossauros, então vai acontecer ao Homem. É certo e sabido. E aí, é esperar por uma salvação ao estilo Armaggedon ou então correr à Impacto Profundo.


O FIM ECONÓMICO: E se a economia estoirar? Se o dinheiro perder o seu valor vamos voltar aos tempos das trocas directas. É talvez o fim menos dramático, mas que é um fim do Mundo, ai isso é.



Mesmo assim... 

Muito documentário e falatório sobre um tema não o torna mais ou menos provável, pelo que viver cada dia como se fosse último por causa disto não é recomendável... Afinal ele pode não acabar e deixar-vos a lidar com as consequências.

1 comentário:

Vicky disse...

agora já não vou conseguir dormir...